Devaneios Concretos · Ensaio

Como eu uso IA, e o que eu penso dela

Na prática, onde a IA acelera o meu trabalho e onde ela não entra. E a reflexão por trás: a cautela, o FOMO, o que vivi na Tegra e o custo que eu não ignoro.

Ilustração: um designer de óculos, à mesa no fim da tarde, pensando diante do notebook, com a cidade e o pôr do sol pela janela
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Como eu uso

Uso IA em duas frentes: para otimizar o meu processo e para levar mais valor e uma experiência melhor a quem recebe a entrega.

No processo, ela acelera o que eu já faria: pesquisa, síntese, documentação, protótipo e código. Na entrega, ela entra quando melhora a vida de quem usa, e só aí.

Não forço IA onde ela não precisa estar. Nem tudo é IA, e quanto menos um produto depende dela, mais eficiente fica a usabilidade. Por isso uma entrega minha nunca fica presa a um único modelo, nem a um modelo em si: ela precisa continuar operável sem IA.

Desenvolvimento de sites, softwares e apps: construo com o Claude Code e o Codex como pares de desenvolvimento.

  • Regras escritas em cada projeto: contexto, convenções e o que não pode.
  • Agentes especializados: um quebra a entrega em fatias pequenas, outros cuidam de governança, migração e QA.
  • Frentes em paralelo, cada uma no seu branch. Tudo entra por PR e é conferido no navegador.

Na pesquisa: a IA acelera o dia a dia da pesquisa, do roteiro ao resultado final.

  • Roteiros de entrevista, transcrição, síntese e os dados relevantes de cada conversa.
  • Leitura de transcrições de atendimento e cruzamento de dados.
  • Desk research com fonte que dá para conferir, e um teste cego de planos de governo.

No comercial e no ensino: proposta comercial que levava seis horas passou a levar uma, sem perder a identidade da marca.

  • Apresentações na nuvem com design system atômico: uma proposta para cada lead.
  • O time comercial treinado para fazer o mesmo.
  • Workshop “Do Figma ao deploy”: IA dentro do Figma e por MCP, da documentação até publicar na Vercel.

Cautela, sem catastrofismo

A gente ainda vai precisar orquestrar a IA, ou a autonomia está logo ali? Não sei.

Tenho cautela para me posicionar sobre IA. Está claro que ela precisa entrar nas nossas tarefas, mas não sei até onde ela vai evoluir.

Sem cair no lado apocalíptico, eu uso IA para ampliar o resultado: acelero a pesquisa, enxergo oportunidade mais cedo e cubro os pontos em que eu era falho. Essa simbiose entre o profissional e a IA faz a entrega sair mais rápida, mais profunda e com mais autonomia.

Só que manter a cautela fica difícil quando o mercado inteiro parece correr.

Ilustração: um designer de óculos, à mesa no fim da tarde, pensando diante do notebook, com a cidade e o pôr do sol pela janela
Cautela

O FOMO de não ficar para trás

Você já deve ter ouvido falar de FOMO, o fear of missing out. É o que faz você sentir que precisa ter aquele celular novo, ou que aquele vídeo no YouTube vai ser o último do dia, pela vigésima vez. Ninguém quer ficar de fora de uma onda nova, e com IA não é diferente.

O mercado de tecnologia avança no uso de IA num ritmo de turbilhão: modelo melhor a cada dia, ferramenta nova o tempo todo, uma evolução meio descontrolada que a gente agora precisa assimilar. E o mercado parece dizer: ou você domina essa tecnologia, ou fica obsoleto.

No começo eu vi isso com pânico. Precisava aprender cada passo para não me sentir para trás. Hoje vejo com mais cautela.

Por enquanto, me limito a pensar em como a gente usa a IA generativa e a preditiva. Só que a conversa já chegou na AGI, na computação quântica e na neuromórfica. Com IA, o FOMO é assimilar o que existe hoje pensando no que vai existir amanhã, com a sensação de que a AGI vai deixar a gente obsoleto.

Esse pânico eu vivi de perto, numa empresa que decidiu se reinventar por causa da IA.

Ilustração: um designer de óculos, deitado na cama à noite, iluminado pelo celular, no meio de um redemoinho de vídeos, um celular novo e janelas de ferramentas de IA
FOMO

Na Tegra, desde janeiro de 2024

Quando a IA começou a se mostrar a maior revolução desde a Revolução Industrial, a Tegra logo decidiu pivotar o modelo de negócio. A partir de janeiro de 2024, a gente passou a ter que mostrar que os processos que fazia eram acelerados por IA.

Com o patrocínio da empresa, a gente se obrigou a ficar obcecado pelo potencial dela: em como acelerar os nossos resultados e, principalmente, em como melhorar a vida e o trabalho dos nossos clientes.

Essa obsessão me fez aprender rápido. E também me fez enxergar o que a IA cobra de volta.

Ilustração: um designer de óculos aponta para layouts gerados com IA numa tela grande, enquanto dois colegas se inclinam para olhar
Tegra

O custo que eu não ignoro

Hoje eu conheço os problemas que vêm junto com a IA: sustentabilidade, subsídio, consumo de água e de energia, e o que os data centers causam às comunidades e ao ambiente em volta.

Mesmo assim, me obriguei a dominar essa tecnologia, de olho no momento em que a eficiência energética dela seja menos lesiva.

Ilustração: um data center gigante à beira de um rio, com ventiladores soltando vapor e canos puxando água, ao lado de uma cidade pequena no entardecer
Custo

Onde eu quero chegar

Continuo sem saber se a autonomia está logo ali. O que eu sei é que a IA avança mais rápido do que dá para acompanhar, que a pressão para não ficar para trás é real, e que o custo dela também é.

Por isso eu fico no meio-termo. Assimilo o que existe hoje com critério, sem pânico e sem fechar os olhos para o que ela custa. Na prática, uso IA onde ela melhora o resultado para quem usa, e nenhuma entrega minha fica presa a um modelo: ela precisa continuar operável sem IA.

A IA traz velocidade e conhecimento técnico. Saber aonde chegar, o que corrigir e o que melhorar continua com a gente.
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