Uma boa solução só existe quando você entende de verdade o problema.
Senior Product Designer, apaixonado por design e tecnologia desde o tempo do produto físico. Trabalho com design digital há 16 anos, 12 deles em plataformas e produtos digitais e 8 em serviços financeiros. Hoje uso IA para fazer em uma hora o que levava seis.
Antes de desenhar qualquer tela, vou atrás de quem vive o contexto e sente o problema na pele. Cada frente traz suas hipóteses; meu trabalho é confirmar, descobrir e, quando precisa, discordar. No fim, é solucionar e surpreender, e muitas vezes o problema real está além das hipóteses.
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Dados antes de opinião
Quando não existe infraestrutura para medir, eu crio uma provisória: tabulação em Google Forms, a origem dos acessos canal por canal, a leitura das transcrições de atendimento. Dado provisório vale mais que certeza bem argumentada.
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O cubo mágico
Quebro o problema grande em problemas menores e começo pelo que dá recompensa mais rápido, para ganhar ritmo. Conforme a dificuldade sobe, equilibro conhecimento e desafio, o flow state, até a grande entrega.
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Game design como lente
Estudar jogo me deu um jeito analítico de pensar engajamento. Ponto, badge e patente são o lado extrínseco, e nenhuma patente salva um jogo chato. O que segura é o intrínseco, a sensação que cada mecânica desperta. Um jogo de tabuleiro ou de cartas mostra isso com quase nada: regra simples, uma boa decisão por rodada. No banco, entendi esse lado psicológico de forma mais acadêmica.
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O equilíbrio dos detalhes
A relação com um app, um site ou um sistema é emocional e nasce da soma dos detalhes: contraste, tipografia, hierarquia, o feedback da micro interação, o motion que deixa a ação fluida. O trabalho é achar o equilíbrio, e muitas vezes a pergunta é o que tirar para ficar premium e minimalista.
O que eu entrego
Ponta a ponta, do discovery à entrega.
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Research
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Pesquisa com usuários
Entrevistas, testes de usabilidade e pesquisa quali e quanti, e a leitura das transcrições de atendimento para achar o que a tabulação esconde.
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Jornadas e Service Blueprint
O serviço de ponta a ponta, canal por canal: por onde a pessoa chega, onde ela tropeça e o que, nos bastidores, faz a jornada funcionar.
Strategy
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Proposta de valor e posicionamento
A oferta redesenhada a partir de conversas com clientes e com quem decide, como na Digigroup, que trocou mídias sociais e sites por dados, discovery e software.
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Priorização, roadmap e workshops
Análise de impacto para decidir o que entra primeiro e o que pode esperar, com Design Sprints e workshops de co-criação junto de stakeholders, produto e tecnologia.
Produto digital
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SaaS e plataforma web
Plataformas por assinatura, portais e white label, como a migração do atendimento legado para o Salesforce, que juntou as telas do atendente num só cockpit.
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App mobile e totem
Apps iOS e Android, do banco digital ao app de gestão para pessoa jurídica e à operação no pátio, e telas para totens nos projetos da Digigroup.
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Interface, micro interações e motion
Contraste, tipografia, hierarquia e o feedback de cada ação, com motion onde ele ajuda a entender. Este site é o exemplo mais à mão.
Web
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Website, landing page e hotsite
Sites institucionais, páginas de campanha e hotsites, como o que reuniu a posição da prefeitura em cada assunto para a imprensa consultar antes de publicar.
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E-commerce e checkout
Lojas e checkouts em Magento e Salesforce, com evidências de confiança antes da compra, porque é no checkout que a confiança decide a conversão.
Brand
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Logotipo e identidade visual
A marca e o seu sistema visual, da Otaboo aos projetos da Blunana e da Digigroup, aplicados no site, nas apresentações e no produto.
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Apresentações e campanhas
Propostas comerciais com a identidade preservada, de seis horas para uma, peças digitais e impressas para campanhas e vídeos publicitários com IA generativa.
Delivery
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Design system
Evolução e governança, para a experiência ser a mesma entre squads e produtos, independente de quantos produtos estão na frente da pessoa.
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Acessibilidade
Pesquisa com pessoas cegas, de baixa visão e surdas, e os critérios WCAG na interface. Ela acha o que o WCAG não cobre, como vídeo ao vivo sem Libras.
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Handoff com engenharia
Junto do squad, com produto e tecnologia, do protótipo à entrega: acompanho a construção até a solução ir pro ar, sem jogar o arquivo por cima do muro.
Research
Strategy
Produto digital
Web
Brand
Delivery
IA no meu processo
IA com critério, do produto à entrega.
A IA traz velocidade e conhecimento técnico. Nós trazemos a direção: aonde chegar, o que corrigir e o que melhorar, até a entrega certa.
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Dislub Equador
Discovery em Manaus
Com IA do roteiro à apresentação: roteiros a partir das hipóteses da diretoria, consolidação das entrevistas, proto personas por cargo, jornadas e pontos de contato entre as áreas, e o PPT de achados validado com a diretoria. No mesmo mês, protótipos no Figma Make: uma plataforma de gestão para quem vivia apagando incêndio e um app que orquestra a fila de retirada de combustível.
Com IA: entrevistas com clientes e stakeholders consolidadas, desk research sobre o marketing na era da IA, uma segunda rodada e as hipóteses refeitas. Daí saíram a nova proposta de valor e os novos serviços. Depois, o logotipo e a identidade nova, o site feito com o Claude Code e as imagens geradas com o Magnific, com o conteúdo e a estratégia apoiados por IA.
Resultado
A oferta migrou de mídias sociais e sites para dados, discovery, software e estratégia, e o trabalho virou o convite para Partner de Produto & IA.
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Blunana
Rebrand, site e prospecção com IA
Rebrand, site e um sistema para os times comercial e de produto montarem sozinhos material de prospecção e campanhas com IA, com cada proposta customizada para o lead, sem perder a identidade visual nem a qualidade de apresentação.
Resultado
Autonomia para os times, e propostas que levavam cerca de 6 horas passaram a levar 1.
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Vantiz
Produto com agentes
Gestão do lead à entrega para freelancers e pequenos escritórios de design e marketing, com um time de agentes e um fluxo procedural em que a regra decide e a IA julga só onde a regra não alcança.
Resultado
Processos espalhados por várias plataformas, e até em anotações no papel, passaram a ficar numa plataforma só. E a gestão e os documentos do trabalho, como briefing, escopo e plano, saem mais rápido com IA.
No primeiro encontro, quero saber o que você acha que é a profissão e onde quer chegar. Daí sai um plano de ação que respeita o seu sonho, mesmo quando ele aponta para fora da empresa. No dia a dia, o foco é pensar antes de sair fazendo: pesquisa com menos viés, diagramação testada num playground, desk research antes da entrega.
Um passo para trás, para subir mais rápido
Acompanhei um profissional sênior em transição para Product Design. Consegui mostrar por que valia dar um passo para trás: numa área nova, a gente pode se dar o luxo de não ser sênior, e isso dá permissão para errar, aprender e evoluir. O combinado era acelerar o aprendizado para subir de novo mais rápido. Eu passei por isso quando saí de uma software house para uma instituição financeira: o passo para trás me ajudou a desfazer anseios que eu tinha sobre trabalhar em empresa grande.
Mentorar também me ensina
Com a prática, a gente faz sem lembrar o nome das coisas. Mentorando, voltei aos métodos e às escolas de design, aprendi a ler maturidades diferentes e passei a me preparar para cada encontro. E quando o papo sai da curva, escuto: um mentorado quis aprender Python, que eu não domino, e eu acompanhei trazendo o olhar de UX para os projetos dele.
Onde isso já rodou
Comecei a mentorar no BV, por sugestão da minha liderança, e a experiência foi transformadora. Lá, mentorei designers e uma jovem aprendiz, que acabou sendo promovida mais tarde. Na Tegra, cuidei do PDI do time, com 1:1 e design critique. Algumas conversas continuaram depois que eu saí, e o retorno mais comum é que elas ampliaram o horizonte, até para decidir entre seguir na carreira ou mudar de área.
02 / Mentoria
(03)Perfis que eu acompanho
Para quem é
A próxima conversa pode ser sobre a sua carreira.
Faz mais sentido se você está em transição de carreira, se é júnior ou pleno e quer pegar os macetes do design com IA, ou se é sênior, perdeu a onda da IA e não quer ficar para trás.
Eu perguntava “por quê?” umas três vezes no mesmo assunto, até virar o menino do porquê. Por um tempo achei que era defeito. Hoje é obrigação da profissão: quanto mais eu falo com as pessoas certas e faço boas perguntas, menos eu erro.
O espremedor do Philippe Starck na casa do meu tio me fez querer entender como as coisas funcionam. Fiz Desenho Industrial no Mackenzie, uma linha de produtos minha saiu no livro “10 Jovens Designers Brasileiros” e o cavalete Clint ganhou menção honrosa no Prêmio EcoLeo de Design de 2009.
Tive a Otaboo, escritório de design de produto e gráfico incubado pelo Mackenzie. O digital entrou por um curso de web design e, lá por 2012, foquei nele de vez. Faltava maturidade administrativa e comercial, e optamos por fechar.
Numa startup de fidelização, fui forçado a sair de trás do computador e ir até os clientes. O que eu vi nessas visitas mudou o produto. Entrei como designer gráfico e de interface e saí com a responsabilidade de CEO.
De 2018 em diante, produtos financeiros: cartões para Bradesco e Santander, HSBC PJ, Nobel Banco e o Banco BV, onde fiz o trabalho de que mais me orgulho em pesquisa e estratégia de produto. Depois passei por consultoria, poder público, e-commerce e SaaS. A instituição financeira é uma escolha: é onde eu senti a maior maturidade de tecnologia e o maior entendimento do design.
Quando eu era pequeno, a primeira resposta dos meus pais muitas vezes não bastava. No mesmo assunto eu perguntava “por quê?” umas três vezes, até ouvir a reclamação de que eu era o menino do porquê. Por um tempo isso me deixou retraído: eu era o tagarela da turma, o questionador, e achei que as pessoas não gostavam de quem pergunta demais.
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Uma foto da infância
Demorou para eu entender que uma boa solução de design só existe quando você entende de verdade o problema que precisa resolver. Aí o “por quê?” deixou de ser defeito e virou obrigação da profissão. Em pesquisa qualitativa, se a sua estratégia não responde todos os porquês das suas hipóteses e das suas certezas, a chance de chegar numa solução errada aumenta. Quanto mais você fala com as pessoas certas, sabe ouvir e faz boas perguntas, menos você erra.
Eu sempre fui curioso. Consumir cultura, filme, game, não bastava: eu queria entender como as coisas funcionavam. Quando eu visitava meu tio Léo Ota em São Paulo, ficava admirado com os objetos da casa dele. Entre eles, o espremedor de laranja do Philippe Starck. Desde então eu passei a gostar de reimaginar o design do dia a dia de acordo com o tempo dele, com os materiais e os processos de fabricação que surgiam.
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A linha de móveis do livro “10 Jovens Designers Brasileiros” ou o cavalete Clint
Fui fazer Desenho Industrial no Mackenzie em 2003. Na faculdade me encantei com o design brasileiro, que relê o que acontece lá fora com o material que existe aqui e com o nosso clima, pensando em como o corpo respira no calor que a gente tem. Fui pró-ativo desde cedo: o professor Ivo Pons me convidou a desenvolver uma linha de produtos que eu estudava em metodologia e marcenaria, e o projeto saiu no livro “10 Jovens Designers Brasileiros”, lançado na Tok&Stok.
Mas eu não queria passar pela faculdade sem viver tudo que o design oferecia. Migrei para o gráfico, porque sempre gostei de arte, de filme, de game. E no fim da faculdade atendi a OpenMind, uma empresa de tecnologia, e vi que dava para aplicar design em software aqui no Brasil.
Depois de formado, fui para a pós no Senac. Lá tive aprendizados com o Marcelo Suzuki, que trabalhou com a Lina Bo Bardi, e desenhei o cavalete Clint. Ele recebeu menção honrosa na categoria profissional do Prêmio EcoLeo de Design de 2009, de produtos sustentáveis, porque os cortes aproveitavam quase 100% da chapa de compensado naval. A Oppa quis produzir e vender nas lojas físicas e no e-commerce. Foi um momento muito gratificante no design de produto físico.
Entre 2009 e 2014 tive a Otaboo, escritório de design de produto e design gráfico, incubado pelo Mackenzie. Foi na época da Otaboo que a gente saiu em notícia de jornal, com a menção honrosa do Prêmio EcoLeo de Design de 2009. O digital entrou na Otaboo por um curso de web design que fiz na Impacta em 2008, ainda estudando, numa época em que o boom digital estava decolando. Fiz site em Flash, e depois o e-commerce da Pietre di Rapolano, empresa de Florença que trabalha travertino e mármore para piso, revestimento e móveis de banheiro, vendendo para compradores do mundo inteiro. Vi que dava para ir de produto físico para aplicativo e loja online, e lá por 2012 foquei no digital de vez.
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A Otaboo: o escritório ou um projeto da época
A gente atendia muita frente ao mesmo tempo, de produto físico a digital, e eu queria seguir mais no digital. Também senti, empreendendo cedo, que faltava maturidade administrativa e comercial. Optamos por fechar. Eu segui para a tecnologia.
Fui para a Dotmiles a convite de desenvolvedores com quem eu trabalhava esporadicamente na época da OpenMind. Era uma startup de fidelização de clientes, assunto em que eu tinha zero experiência. Cheguei como o designer tímido que se escondia atrás do computador e seguia o que os devs e o CEO diziam, porque eles conheciam o segmento e eu não.
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A Dotmiles: visita a cliente, a equipe ou o produto
Conseguimos aporte de uma empresa-anjo e, com isso, a obrigação de acelerar resultado: validar, comprovar, prospectar, entender se o cliente estava satisfeito e onde havia oportunidade. Fui forçado a sair da cadeira e ir até os clientes. No começo eu morria de vergonha. No fim estava apaixonado por ver de perto a experiência que eles tinham, o que a gente achava que eles queriam e o que eles realmente queriam.
Foi entendendo o que a gente oferecia e o que o cliente realmente queria, nessas visitas, que sugeri mudar o produto. Em vez de entregar os dados e orientar a empresa a fazer as ações, percebi que a gente mesmo podia fazer as ações por ela, de forma automatizada: lembrete de prêmio, convite de resgate. Aí a coisa melhorou.
Num desses encontros passei horas conversando com o diretor comercial da Red Bull para a América Latina, um brasileiro. Ele me mostrou como a Red Bull prospectava e conquistava mercado, e eu reestruturei a nossa metodologia de prospecção inteira a partir daquela conversa.
Entrei como designer gráfico e de interface. Saí como designer de experiência que fazia atendimento ao cliente e encarava prospecção. Foi lá que eu senti, na prática, o que é agir como dono, e depois a responsabilidade de ser CEO. Chegamos naquele ponto do livro “A Startup Enxuta” em que você precisa decidir se persiste, pivota ou desiste. Eu e o time, exaustos, preferimos desistir. Hoje, talvez, eu persistiria um pouco mais. Conheci o Design Thinking e tracei minha trajetória a partir disso.
De 2018 em diante trabalhei em produtos financeiros: cartão Casas Bahia para o Bradesco, cartão Santander Amex, app e portal para HSBC PJ, plataforma de investimentos para a Nobel Banco, parte deles em squads com a FIS. Em 2021 entrei no banco BV, primeiro alocado e depois efetivado. Antes de aceitar, passei alguns meses pensando se era aquilo que eu queria, porque entrar de cabeça numa única empresa significava abrir mão das outras áreas em que eu poderia criar soluções e dos outros lugares que eu poderia conhecer. Entrei, e foi lá que fiz o trabalho de que mais me orgulho em pesquisa e estratégia de produto.
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Um workshop ou uma pesquisa de campo
Saí do banco em 2023 porque queria desbravar outras áreas antes de me especializar. Eu acredito que um profissional precisa de bagagem diversa, ainda mais agora com IA: viver situações em que você tem que acelerar e aprender do zero para entregar bem é o que tira você da zona de conforto. Passei por consultoria, poder público, lawtech, meios de pagamento, e-commerce, franquias, SaaS. Conheci o Amazonas e outras cidades fazendo pesquisa local, como nos projetos da Dislub Equador e da Cervejaria Petrópolis. Hoje me sinto mais maduro.
E a instituição financeira é uma escolha. É onde eu senti a maior maturidade de tecnologia e o maior entendimento da importância do design. Estar num lugar onde o seu trabalho é valorizado e necessário, com impacto em muita gente usando, é o que eu vejo de melhor.
A gamificação que perdeu o prazo
01 · O contexto
Numa instituição financeira, a VSO de uma das tribos chegou com a ideia de gamificar as jornadas. A proposta era pontuar o cliente, mas sem resgate de prêmio e sem desconto. Gamificação extrínseca, apartada do negócio. Eu já tinha vivido isso por dentro: na Dotmiles, startup de fidelização de clientes que cofundei e da qual fui CEO, o produto era justamente ponto, prêmio e resgate. E de lá eu sabia uma coisa: se o produto não está sendo resolutivo e desejável, não é gamificação que vai salvar.
02 · O erro
O erro foi meu. Eu já tinha uma vontade grande de estudar o tema a fundo e sair da superficialidade, porque sentia que era um conhecimento que poderia transformar toda a forma de desenvolver tecnologia. Então comentei que eu poderia fazer um estudo de gamificação intrínseca, que fugia do meu escopo, e fui estudar: Yu-kai Chou e os core drives, flow state, game design em vez de gamification, benchmark com Duolingo, Pinterest, Nubank. Demorei demais. Não comuniquei que seria uma pesquisa profunda, não decidi em conjunto, perdi o deadline. A VSO e a liderança ficaram desapontadas e o estudo foi enterrado.
03 · O que mudou
Saí com duas perguntas que carrego: dava para fazer estudos mais rápidos, com micro-validações? E por que eu não deixei tudo claro desde o começo? Eu vinha de uma sequência de entregas que deram certo: tinha passado por duas lideranças, as duas com ótimos feedbacks, e com pouco tempo de empresa fui indicado para um reconhecimento. Não fui o escolhido, mas eu estava me sentindo inabalável. Fui confiante demais e derrapei.
“Hoje eu combino o tamanho, os riscos e o prazo antes de começar e, quando o ideal não cabe, entrego por partes que dá para validar.”
04 · O que ficou
Não foi tudo perdido. Conforme eu estudava, ficou claro que game design intrínseco era importante o bastante para merecer um time dedicado. Meses depois de eu sair, soube que esse time foi criado. E o estudo mudou o meu jeito de criar: gamificar não é a pessoa perceber que existe gamificação: é ela usar, engajar sem saber por quê, e simplesmente querer continuar com aquela solução em vez de trocar.
Reconhecimentos
(01)
Prêmio EcoLeo de Design 2009
Menção honrosa na categoria profissional pelo cavalete Clint, com cortes que aproveitam quase 100% da chapa de compensado naval. Produzido e comercializado pela Oppa.
(02)
Livro “10 Jovens Designers Brasileiros”
Linha de produtos desenvolvida na graduação a convite do professor Ivo Pons, lançado na Tok&Stok.