Laboratório · IA · 2026

Geração procedural

Como os games montam mundos a partir de regras, aplicado à operação de uma empresa.

Fase atual01
Fases no caminho, de 0 a 506
Áreas parceiras no primeiro teste02
Peças que já se repetem no produto03

Ato I · A ideia

O essencial

A próxima fase da Vantiz é montar a operação de cada empresa a partir de peças, em vez de construir um módulo para cada setor. É a lógica da geração procedural dos games, aplicada à gestão.

Este estudo conta a ideia, onde fica a regra, onde entra a IA e onde entra a pessoa. E separa o que já roda do que ainda é plano: a arquitetura está na fase 1 de um caminho de seis.

  • Comercial, produção e serviço viram configurações das mesmas peças.

  • Prazo vencido é cálculo. Risco de atraso é inferência.

  • A operação montada passa por prévia e revisão antes de valer.

  1. 01BlocoA estrutura básica da operação
    • Entidade
    • Campo
    • Relação
    • Estado
    • Evento
    • Ação
  2. 02ComportamentoDá uma capacidade ao bloco
    • Prazo
    • Responsável
    • Checklist
    • Aprovação
    • Dependência
  3. 03VisãoMostra e mexe nos dados, sem guardar regra
    • Kanban
    • Calendário
    • Linha do tempo
    • Formulário
As peças, do bloco à visão

De onde veio a ideia

Nos games, a geração procedural cria fases, mapas, itens e até missões a partir de regras e algoritmos, com ou sem a mão de uma pessoa no processo. O mundo nasce de um conjunto pequeno de regras que se combinam, sem ninguém desenhar peça por peça.

Eu penso em peças desde sempre. Monto Lego desde criança, e o cubo mágico é um quebra-cabeça de peças que só se movem por regras. Na faculdade, a Linha Tube, a linha de móveis que entrou no livro “10 Jovens Designers Brasileiros”, também era modular: peças de MDF cortadas em CNC, tubos de alumínio e barras roscadas que se combinavam de jeitos diferentes.

Esse olhar de peças e de game design já aparece em outras partes do meu trabalho, do Teste às cegas à tela Início da Vantiz. Aqui a pergunta foi outra: e se a operação de uma empresa também pudesse nascer de poucas regras bem escolhidas?

Isso já roda em software

Fora dos games, a ideia já roda há tempo, com o nome menos charmoso de configuração por metadados. O Salesforce monta a aplicação de cada cliente na hora, lendo a descrição dos objetos, dos campos e das regras, sem código feito sob medida para cada um. E gerar a interface a partir de um esquema de dados é tema de pesquisa acadêmica faz anos.

O que muda na Vantiz é quem descreve a operação. Em vez de um consultor configurando campo por campo, a pessoa conta como trabalha, e a plataforma propõe a estrutura.

O que já se repete

Antes de virar arquitetura, a ideia já aparece no produto, porque o processo foi pensado assim desde o começo. A plataforma nasce sobre um design system atômico: componentes e modais são construídos para ser replicados, e tudo o que é criado passa por um estudo para ver se dá para reaproveitar, e fica guardado. A decisão de reuso acontece já na criação.

O kanban é o melhor exemplo. É o mesmo nos projetos e na prospecção, e o que muda é a configuração: a quantidade de colunas, o nome de cada uma e os campos dos cards, de acordo com o que cada fluxo precisa.

A peçaOnde ela já serve
KanbanProjetos e prospecção, com as colunas e os cards de cada um
Checklist sugerido pela IAO lead e a task
Plano do diaTarefas, leads e clientes
O kanban de projetos
O mesmo kanban, com as colunas e os cards da prospecção

Ato II · As peças

Blocos, comportamentos e visões

São três tipos de peça. O bloco é a estrutura básica. O comportamento dá uma capacidade ao bloco, como ter prazo ou pedir aprovação. E a visão mostra e mexe nos dados.

Pensa no Lego. Com o mesmo encaixe, um punhado de peças monta uma casa, uma nave ou um castelo. O bloco é a peça básica; o comportamento é a peça especial, como a roda ou a dobradiça; e a visão é o que a pessoa enxerga montado. O encaixe é o contrato: enquanto ele é o mesmo, qualquer peça conversa com qualquer outra.

O mesmo kanban pode mostrar tarefas, oportunidades, candidatos ou ordens de serviço: ele só precisa que a peça tenha estados. A visão não guarda regra. Quem garante a regra é o motor, e a tela só pede.

PeçaO que fazExemplos
BlocoA estrutura básica da operaçãoEntidade, Campo, Relação, Estado, Evento, Ação
ComportamentoDá uma capacidade ao blocoPrazo, Responsável, Checklist, Aprovação, Dependência
VisãoMostra e mexe nos dados, sem guardar regraKanban, Calendário, Linha do tempo, Formulário

Fato e inferência

Um prazo registrado é fato. Prazo vencido é cálculo, e fica no código. Risco de atraso é inferência, e aí entra a IA, guardando a fonte, o momento e a versão do estado que ela leu.

Uma inferência nunca ocupa o lugar do fato de origem. Foi o mesmo raciocínio que tirou a próxima ação da IA na Vantiz: quando os parâmetros são conhecidos, a decisão vira regra, com pesos, e não gasta crédito.

O que a IA lê e o que ela aprende

Para julgar bem, a IA precisa ler o contexto certo. O RAG, que busca trechos de documentos para dar contexto ao modelo, fica como infraestrutura por baixo do produto. A memória de cada projeto e de cada lead foi desenhada em três camadas, e a busca semântica é a última a ser usada. Cada trecho lido carrega a origem, a data e quem pode ver.

O fine-tuning, treinar o modelo com os dados da casa, ficou como hipótese. Desde setembro, a Vantiz guarda o elo entre o que a IA gerou e a versão que a pessoa deixou como final, porque esse sinal não se reconstrói depois. Mas treinar só volta a ser analisado quando houver pelo menos 500 pares por agente, de 15 empresas diferentes e com consentimento, e quando mexer no prompt já não melhorar mais nada.

E tem uma pergunta antes: a edição da pessoa é um padrão ou é o gosto de cada estúdio? Se for gosto, a resposta certa é template e memória da casa, e aí o procedural resolve melhor que treinar um modelo.

CamadaO que guardaComo a IA lê
1. Números e estadoPrazos, horas, valores e statusConsulta direta ao banco, sem interpretar texto
2. Resumo vivoO que importa do projeto ou do lead até aquiAtualizado a cada marco
3. Material brutoDocumentos, conversas e arquivos recebidosBusca semântica (RAG), só se as duas primeiras não bastarem
pares por agente, entre o que a IA gerou e a versão final, antes de pensar em treinar
500
empresas diferentes nesses pares, todas com consentimento
15
por documento gerado, a mediana medida em agosto: barato demais para um modelo próprio compensar
US$ 0,038

Fonte: Critérios da Vantiz para reavaliar o fine-tuning, setembro de 2026

O ciclo de uma mudança

Cada mudança na operação vira um evento, e o evento escolhe o que vale reavaliar. O sistema não analisa tudo a cada clique: o cálculo vem primeiro, o julgamento da IA só quando é útil, e a próxima ação passa por quem decide antes de virar resultado.

  1. 01Evento
  2. 02Sinal
  3. 03Julgamento, quando útil
  4. 04Próxima ação
  5. 05Aprovação
  6. 06Resultado
O ciclo de uma mudança, do evento ao resultado

O agente procedural

O agente procedural é o fim do caminho, e ele começa antes de a pessoa entrar na plataforma. Ela responde algumas perguntas iniciais. Se tiver pressa, pula e escolhe uma configuração pronta, um template. Se quiser, detalha numa conversa com a TRAMA o que a empresa faz e como são os processos dela.

Com isso, a TRAMA chama quem for preciso do time: o LASTRO para pesquisar o mercado, a ESCUTA para entender o público, o PRUMO para montar o plano. Eles sugerem, a pessoa ajusta, e a conversa itera até chegar num plano que dá para gerar. O procedural chega também aos agentes: a configuração de cada um sai do que a empresa contou.

Por baixo, a proposta vira um schema, a descrição da operação num formato que o sistema entende, com prévia e com as diferenças legíveis. Nada vai ao ar sem revisão, e o agente não mexe sozinho num fluxo que já está rodando. A primeira prova nem usa o agente: o schema é escrito à mão, e a geração automática só vem depois que o motor estiver provado.

E não precisa de um modelo próprio. A geração usa um modelo de mercado, escolhido por teste comparativo, dentro de um contrato que o código valida: a qualidade vem das peças, dos templates e dos exemplos, e o modelo pode ser trocado quando surgir um melhor. Como montar uma operação acontece pouco, dá para usar um modelo mais forte nessa etapa. E, com parceiros que descrevem processos internos, a escolha do provedor passa a ser também uma questão de LGPD e de contrato.

  1. 01Perguntas iniciais
  2. 02Template ou conversa com a TRAMA
  3. 03O time entra: LASTRO, ESCUTA, PRUMO
  4. 04A proposta, com prévia
  5. 05A pessoa ajusta
  6. 06O plano gerado
Da primeira pergunta até o plano gerado

Ato III · O caminho

Em fases

A ordem importa mais que as datas: primeiro o schema, depois o motor, o reuso, a decisão e, por último, a geração. Hoje a Vantiz está na fase 1, montando o núcleo mínimo que reconstrói uma parte do que já existe.

FaseO que éO que precisa provar
0InventárioUma fatia real do produto escolhida, com o que precisa continuar funcionando
1 · agoraNúcleo mínimoSchema versionado, blocos, comportamentos e visões reconstruindo uma parte da Vantiz
2Eventos e procedimentosO fluxo governado por código e schema, com auditoria
3ReusoTrês operações diferentes com as mesmas peças
4DecisãoSkills com contrato próprio, primeiro em regra e depois com IA
5Agente proceduralUma operação nova montada a partir da descrição, sem código específico

A prova de que é horizontal

Antes de abrir para alguém de fora, a gente constrói tudo o que der de componentes e de módulos para o nicho inicial, as agências e os estúdios criativos. É ali que as peças nascem e são testadas no uso real.

A primeira construção procedural é para a gente mesmo usar. Em parceria com empresas de outras áreas, como um escritório de advocacia e uma empresa de investimento, montamos a operação delas com as mesmas peças para ver duas coisas: se a criação fica mais rápida e se o que sai funciona direito. Só em fases mais adiante a geração fica aberta para qualquer pessoa.

Toda peça nova que aparecer no caminho fica registrada, com o motivo. Se cada área pedir um módulo inteiro só dela, a abstração está errada, e é melhor descobrir isso cedo.

QuemPara quê
Agências e estúdiosO nicho inicial, onde as peças nascem e são testadas no uso real
A própria VantizA primeira construção procedural, usada pela gente
Parceiros de outras áreasAdvocacia e investimento: ver se a criação acelera e se funciona direito
Qualquer pessoaSó em fases mais adiante

O que ainda falta resolver

Não vou fingir que está tudo resolvido. Os geradores dos games já esbarraram em problemas que a Vantiz ainda vai encontrar. Uma fase gerada só vale se dá para chegar até o fim, e por isso muitos geradores testam o que criaram antes de entregar. Numa empresa, a operação montada também precisa ser jogável.

Tem um problema que o jogo não tem: num game, dá para gerar o mapa de novo. Na Vantiz, a pessoa vai renomear colunas, mudar campos e adaptar o template, e a próxima geração não pode passar por cima disso.

E tem o risco que a pesquisadora Kate Compton chamou de 10 mil tigelas de mingau de aveia: milhares de resultados tecnicamente diferentes que parecem todos iguais. Se a operação de uma agência e a de uma oficina saírem com a mesma cara, a pessoa sente que recebeu um template.

  • Rodar um projeto fictício pelo fluxo gerado: todo estado tem saída, nenhuma etapa fica sem responsável.

  • Gerar de novo, ou melhorar o template, sem passar por cima do que a pessoa já mudou.

  • O plano gerado já chega com as primeiras tarefas e a próxima ação no Início.

  • Medir o que muda entre as operações geradas, para não virarem o mesmo template com outros nomes.

  • Cada peça gerada mostra a origem: veio do que você contou sobre a aprovação do cliente.

  • Decidir o que sempre sai de um template curado e o que a TRAMA pode montar livre.

O que não fazer

Tem uma lista do que eu não quero fazer, e ela é tão importante quanto o plano. Espalhar o setor como condição pelo código. Deixar a IA decidir e executar uma cadeia de ações sem regra. Usar IA para prazo vencido ou para somar valores. Tratar uma resposta bem formatada como verdade. E prometer ganho de tempo ou de custo sem medir no uso real.

O que fica

Ainda é a fase 1, e o que fica por enquanto é o critério: peças pequenas, regra no código, a IA onde ela ajuda a julgar e a pessoa revisando o que vai ao ar.

“Poucas regras bem escolhidas montam um mundo inteiro.”

Bastidores

A base deste estudo é o documento de arquitetura procedural da Vantiz, escrito em conversa com IA e revisado para separar o que é alvo do que é prova. O que aparece como já rodando foi conferido no produto.

Fontes